Pintura – Chuva (1911)

Sabemos pelo próprio artista que as imagens de sua infância nunca deixaram de ocupar sua memória e podemos ver que essas imagens flutuam em muitas de suas obras. Em 1910, Chagall vai para Paris, a capital das Artes Plásticas, e entra em contacto com o que há de mais moderno ali, naquela cidade rica e suntuosa.

Mas o menino Marc está lá dentro do jovem artista que luta para sobreviver e cuja infância pobre, mas feliz e cheia de experiências muito ricas, não o abandona. “O amor de minha mãe por mim era tão grande, que trabalhei muito para justificá-lo”. Filho de uma família de dez irmãos, sustentado pelo pai que era um modesto comerciante de arenque defumado, Chagall nunca passou fome e se divertia muito na sua pequena cidade, onde em toda parte havia crianças com quem brincar. Aprendeu a tocar violino, teve aulas de canto, e desde muito jovem, começou a desenhar e a escrever poemas.

Não gostava quando começavam a procurar interpretações e simbolismos em suas telas. “Meu nome é Marc, minha vida emocional é muito sensível e meu bolso está vazio, mas dizem que tenho talento”, era só o que falava sobre si mesmo. “Chuva”, de 1911, pintada em Paris, é um óleo (e carvão?) sobre tela. Quando se mudou para a França, levou consigo muitas das telas nas quais retratava a vida e os hábitos da sua Vitebsk. Começou a refazer essas telas, e também a criar outras com motivos similares, nostálgicas, mas utilizando as técnicas e conceitos novos que adquirira influenciado pelo meio artístico de Paris.

Em “Chuva”, ele usa cores indefinidas, saturadas, combinadas com áreas em branco e preto, o que dá ao todo uma superfície intensa, vívida. Seu uso da cor foi influenciado por Henri Matisse e Robert Delaunay, cujo trabalho conheceu logo que chegou a Paris. Alguns planos sombrios, por exemplo, o telhado da casa e a área em primeiro plano, à esquerda, têm suas raízes no Cubismo, apesar de ser um componente que ele usou muito aleatoriamente.