“O Êxtase de Santa Teresa”, composição que reflete o talento de Bernini como escultor e como diretor de arte, é um verdadeiro “tableau vivant”. Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja, reconhecida por seus textos de um misticismo exaltado, é representada após ter uma visão miraculosa, segundo sua versão do que lhe aconteceu.

Bernini tinha seu nome muito ligado aos Barberini e quando Urbano VII foi substituído por Inocente X, da família Pamphili, durante um breve tempo ele ficou afastado do Vaticano. Pode oferecer seus serviços a outros patronos e o cardeal Federico Cornaro o escolheu para desenhar sua capela mortuária. A igreja escolhida, Santa Maria della Vittoria, é uma igreja das Carmelitas Descalças até então pouco visitada. Teresa de Ávila acabara de ser canonizada e isso despertou enorme interesse.

A capela é uma explosão de mármores e outras pedras coloridas, bronze, ouro e prata. As duas principais figuras são Santa Teresa e o anjo reluzente que ela descreve como tendo aparecido em sua visão mística. Acima da cabeça de Teresa há uma clarabóia cercada por raios de estuque dourado; do solo erguem-se esqueletos; querubins volteiam em torno da santa, prestes a coroá-la com flores; isso tudo aliado à novíssima mistura de materiais, era bastante diferente de qualquer coisa jamais vista numa capela mortuária. Mas o que causa muita perplexidade, naqueles tempos e até hoje, é a expressão de Santa Teresa, em êxtase, desfalecendo de prazer.

Muitos foram os que escreveram laudas de explicações freudianas sobre essa obra única. Mas os cristãos devotos de então, assim como os de hoje, vêm o que Bernini pretendeu mostrar, de acordo com os belos textos da santa: a intensa felicidade que a chegada ao Céu nos proporcionará.

Igreja de Santa Maria della Vittoria, Roma