De vidro azul transparente, incrustada com vidro branco fosco, técnica conhecida como camafeu, a Taça Morgan é do século I, provavelmente da península itálica, objeto típico do Alto Império Romano. Acredita-se que foi encontrada nas escavações da antiga Heraclea Pontica, atual Eregli, Turquia.

Para produzir o vidro camafeu, os vidreiros sopravam duas camadas de vidro de cores diferentes, na maioria das vezes uma delas branca opaca. A combinação mais popular era a mesma da Taça Morgan, azul escuro translúcido e branco fosco. O processo requeria grande habilidade e levava muito tempo para ser completado.

Sua decoração é uma frisa contínua representando cerimônia religiosa num santuário rural. De um lado vê-se uma mulher se aproximar da estátua de Sileno, que é reconhecido pela careca e orelhas pontudas. Mulheres que queriam engravidar invocavam a ajuda do deus Dionísio, para quem Sileno, seu tutor, agia como procurador. Toda a cena remete a Dionísio; a figura do homem jovem é a de um sátiro, como demonstra sua cauda semi escondida pelo pano que lhe envolve os quadris.

Pertenceu à coleção de J. Pierpont Morgan. Segundo peritos que atestaram sua origem e idade, o vidreiro e o lapidador não eram dos mais talentosos; mas isso pouco importa diante da oportunidade de ver como se comportavam as Romanas diante da sempiterna vontade de engravidar que a maioria das mulheres tem. Ou tinham?